sábado, 7 de janeiro de 2012

hoje sabia bem

Gente - A Pipa

Foste ontem tema de conversa. Por quem te conhece, quem te conhece mais ou menos e quem não te conhece. Falava-se do que fazes, como aí chegaste e das virtudes de tal trabalho.
Imagina-se que quem faz o que tu fazes tem, sempre, o seu lado romântico, o espírito de aventureira, a delícia de correr mundo. Terá isto tudo certamente. Mas tem mais, tem muito mais. Tem coração, sentimento, capacidade de abdicar de ti própria, de entrega sem limite, de capacidade interior de luta, de coragem para enfrentar solidões, medos, fraquezas, inseguranças. Não é coisa de homens simples. É preciso ser-se, e és, muito completo. É preciso ter percorrido caminhos, muitos caminhos, encontrado gente de todas as forças e fraquezas imagináveis, ter sentido amor e desamor, alegria e tristeza, ilusão e desilusão. É preciso inteligência, humor, destreza emocional. E é preciso, sobretudo, ter a incrível capacidade de ser-se desprovido do julgamento de valor fácil e espúrio. Ter a noção exacta que cada pessoa é, em cada momento, um ser que atinge ou não. Que chora ou ri. Que vence ou perde. Que fala verdade ou mente. Lendo isto, os cínicos desta vida dirão que não existe gente assim. Existe, existe. Nessa mesma mesa onde a conversa se teve, olhava duas pessoas que também o fariam. Tu és um exemplo disso. Não o percas e, não te deixes influenciar demasiado por um coração demasiado presente em ti que, por vezes, te possa precipitar a razão. Não te enganas, o que observas como bom, é mesmo bom. Tenta espalhar essa pessoa que és. O Mundo, este mundo real, será de certeza bem melhor. Beijo e força, mulher-coragem.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Partir sem sorrir



Partiste assim, na tua inconsciência, ouvindo-nos certamente. Não tiveste tempo de falar, de ajudar, de abraçar. Ninguém foi mais amor que tu, em cada minuto, cada hora, cada dia era isso a tua vida. Dar, dar, dar. Amaste e ensinaste a amar. Educaste e ensinaste a educar. Sorriso doce, coragem e alegria de viver, assim te caracterizou uma amiga. É tudo dor, tudo ausência, tudo angústia. Hoje os dias são sempre maus, o sol é sempre fraco, os dias sempre intermináveis. Um sentimento interior de derrota e angústia tal que nos consome contra tudo e contra todos. Mais ainda para os mais próximos, porque afinal, são eles que ali estão. Nada disto eras tu. Detestavas o rancor, o ódio, a tristeza, a derrota. Mas é mentira. No amor sente-se dor, muita dor. Talvez liberte, talvez consuma. É o que o tempo o disser. Mas o mais imperdoável de tudo, é que foste embora sem poder sorrir. Não há injustiça maior.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Goethe e Alencar conversam sobre o "Tcham".

G: Olha lá ó Alencar, tu que escreveste um livro inteiro em branco sobre a tua Mulher-Praia, ajuda-me aqui numa dúvida. Há dias, um admirador obcecado por mim escrevia sobre tudo e nada. Na verdade acho que o gajo tem uma incontinência verbal que lhe provém de nada saber. E alguém lhe disse que lhe faltava o "tcham". Ele ligou-me para saber o que era isso do "tcham". Não soube responder. Ajudas-me?
A: Eh pá, porra que pergunta do caraças. Eh pá...o "tcham" é...sei lá...é aquilo que não sabemos explicar estás a ver?
G: Não.
A: Como hei-de dizer...é paixão, tranquilidade, desejo, palavras trocadas, ouvidas, escritas, sentidas, sorrisos, êxtase, cumplicidade...bolas mas tu é que sabes, escreveste mais de 50 livros sobre isso...
G: Pois foi o que lhe respondi, quer dizer, mais ou menos isso...mas o gajo não ficou satisfeito...ainda lhe acrescentei beijo, abraço, força, verdade pura, vontade de ver, de sentir, de rever, de tocar, de cheirar....caraças disse-lhe tanta coisa...
A: então e ele? ficou satisfeito?
G: Não.
A: Mas não porquê? é exigente o gajo...raios partam os teus admiradores...é o que dá escreveres mais de 50 livros, eu bem te disse...
G: Mas ele só me falava era dos teus! E pediu-me para te perguntar, mas o que ele mais gosta é um livro inteiro em branco, apenas com uma frase...aquele sabes?
A: eh lá! Ele leu esse?
G: Diz que sim...
A: e que te disse ele sobre esse livro?
G: Diz que achava que estava tudo ali, mas parece que não...dizem-lhe que não...
A: mas quem lhe diz? ela?
G. Ela quem? já me estás a confundir...brasileiros...dá nisto
A: se ele leu esse livro, e se te falou nele, é porque viveu o que lá está escrito. Tem que haver uma ela. Ou outro ele, depende dos gostos do gajo...
G: Não, não. Outras pessoas...ela parece que afinal nem existe...
A: ah bom. logo vi.
G: então que lhe digo?
A: manda-o ler menos.
G: Então e sobre o "tcham"?
A: eh pá...do "tcham" eu não sei nada.
G: Nem eu. Parece.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Thats all folks.

Palavras, silêncios, sons, imagens. Humor, rancor, mágoa. Saudade, desespero, desilusão. Alegria, força, coragem. Disparate, confissão, franqueza. Caminhos, encontros, desencontros. Pessoas, pessoas, pessoas. Mulher. Beleza. Olhares. Sexo. Sensualidade. Desejo, sonho, imaginação. Poesia, rima, descrição. Ambição, inovação, desruptura. Momentos, cheiros, cores. Tristeza, solidão, engano. Amor, paixão, fogo. Temperatura, tranquilidade, sorriso. Thats all folks.

Glück

Como seres humanos que somos temos, claro, inúmeras falhas, complexos, decepções, frustrações, desilusões, perdas. Uns menos que outros, valha-nos isso. Corremos diariamente no estado pleno da Glück de Goethe. Nos encontros duradouros, a dificuldade está em manter a tal intensidade acesa, presente, que por mais tímida que possa estar em muitos e muitos momentos, jamais se apague. Difícil, muito difícil. Mas possível. Observo eu, claro. Nos novos encontros, e por via da tal corrida intensa que fazemos, olhamos mal. Muitas vezes, no novo, em lugar de lhe procurarmos o que nos possa excitar, tranquilizar, aquecer, ensinar...comparamo-lo. Normal, óbvio. Fazêmo-lo todos. A questão principal nunca está, ou nunca deveria estar, em quem faz o quê. Em determinados momentos da vida, todos falhamos, ignoramos, desconhecemos, desiludimos, mentimos, não perdoamos, magoamos. Maior parte das vezes inconsciente, certo. Faz parte dessa saudável insanidade da tal procura da Glück. Só assim a encontramos. A diferença reside numa única palavra. Respeito. Respeitar cada uma desses pessoas é a única forma da experiência nos proporcionar um sorriso. Uma sensação de que não houve tempo perdido. E que, quem sabe, um dia, num outro momento, num outro estado de procura e num outro caminho...olhemos melhor. Aplica-se a tudo. Trabalho, amores, paixões e amizades.

sábado, 24 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

somos uma imensidão de coisas

Perdemos todos. Todos os dias. A vida é muito mais perda que ganho. Também se ganha eu sei. Mas perde-se mais. Perdemos porque somos mais pequenos, mais frágeis, mais crédulos, mais feios. Porque somos menos competitivos, menos ambiciosos, menos premeditados, menos desconfiados, menos calculistas. Perdemos porque acreditamos de mais, porque não nos sabemos avaliar, porque temos dificuldade em "vendermo-nos" ao outro ou outros. Porque há sempre alguém mais inteligente, mais bonito, mais bem sucedido. Com mais facilidade no discurso, mais organizado, mais conhecimentos, mais amizades. Perdemos muito e todos os dias. Mas o que custa mais é perder sem saber. Não é feio, premeditado, pensado. Certamente que não. Somos, todos nós, um mundo infindável de coisas. Umas vezes para aqui, outras para ali. Hoje brilhantes, amanhã bestas. Hoje tranquilos, amanhã inquietos. Hoje inspiradores e corajosos, amanhã chatos, inconvenientes e precipitados. Fossemos menos coisas cada um de nós, e talvez fosse melhor. Talvez. Mas não ouvir o porquê é que é a perda mais angustiante e frustrante. Mas acontece e é triste.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Jácke - o Super Herói (...ou como a decepção pode ser patética)



Jácke observa as estrelas, por entre os seus óculos especiais. “Cassiopeia, Cassiopeia, por onde andas minha bebé?”. Está nisto há horas na sua cadeira de praia sentado na varanda virada para o Mundo, quando é despertado pelo impulso das suas próprias palavras, milhares delas dirigidas a Pandora. Parêntesis: Jácke é assim, sabe que escreve para ele próprio, sabe agora que só a ele lhe provocam impulso. Fecha parêntesis. Ia no impulso. Abre o frigorífico e puxa da sua Kriptonite. Marmelada. Junta-lhe bolacha Maria do Recheio (a mais barata). E prepara o seu plano. Planeia, este gajo.
Manhã cedo e pensa “é hoje”. Veste o seu fato de super-herói comprado noutros tempos provavelmente na loja mais barata (é uma fixação). Esforço brutal. No fato vivem ainda bocados de sal de fato mal lavado e o tempo do armário da arrecadação que lhe trouxe novidades. Perna esquerda, perna direita. Encaixa bem o livrete, carta de condução e seguro e está pronto. Olha-se ao espelho, um egocêntrico o gajo, e exclama “Olha que foda-se...está-me grande”. Tudo lhe fica grande hoje. É que já foi muiiiito grande este super-herói. Mesmo assim, gosta do que vê. Sente-se forte, aventureiro, imbatível mesmo. Ala para a rua. Chegado à rua, lembra-se doutra coisa. O seu Super-carro está “ausente” em parte incerta. Não faz mal, leva o segundo. É rico, o gajo. Cinto posto, gps ligado e siga para a Pandora. A viagem corre bem. Quer dizer, mais ou menos. Ou o tempo está mau, ou o fumo dentro dos óculos é demasiado. Não chega a perceber, não perde tempo com minudências. É grande e profundo, o Jácke. Chegado ao local, estaciona o seu super-carro-substituto. Está a retirar as suas armas da mala do carro quando é atacado pelos primeiros adversários. Duas águias voam ferozmente contra ele (a Vitória, e a outra...a que nunca encontra o símbolo, cega portanto). Mas vêem destemidas. Mas está preparado, e saca da sua pistola de água roubada em casa dos sobrinhos e mata-as. Não com a água. Com a dita mesmo. Pimba, pimba, pimba. E segue, triunfal.
Ao chegar à porta, Jácke é reconhecido. “Olha que foda-se”, pensa de novo. Dois Iphones gigantes barram-lhe a entrada e querem impedi-lo de passar. Luta mais difícil esta. Disparam-lhe mensagens e mensagens, fotos e fotos, palavras e palavras. Desta vez, conseguem feri-lo. “Então eram aqui que estavam as minhas mensagens, seus cabrões!”. Enfurecido, puxa de um pau. Um pau, pau, mesmo. E dá-lhes com alma. Lembra-se de Eça de Queiroz (um erudito além do mais o super-herói), que, dizia que quando a palavra falta, sobra a paulada. Pimba, pimba, pimba nos Iphones. Vence-os, claro. Entra la loja onde Pandora está, já vai ferido. Mas destemido, sempre. Agarra no microfone e grita “Pandora, Pandora, Pandora!”. O local está cheio, milhares de pessoas. Pára tudo. Silêncio sepulcral no local. Todos o olham. Mas com admiração. Aqueles óculos são irresistíveis. Cosnegue juntar a multidão a si e desta vez gritam todos: “Lalalalalala....lalalalalala...só nós queremos a Pandora aqui!”. Jácke deslumbra-se e distrai-se. Entusiasma-se facilmente o gajo. Nesta distracção aparece-lhe outro adversário. Vindo nem sabe de onde, como e porquê, aparece-lhe pendurado numa corda. E confronta-o. A multidão está hesitante e expectante. Antes de o confrontar, Jácke abre a sua lancheira sport-billy e saca de mais um pouco de marmelada. E flores. Distribui flores pelas milhares de pessoas. De todas as cores e feitios, mais vulgares e mais raras. Um cavalheiro, o Jácke. A multidão grita “Jácke, Jácke, Jácke”. O seu adversário, o tal vindo não sabia ele de onde, como e porquê, e entra em acção. Confronta-o com palavras e palavras, frases e frases, às centenas. Deixa-o confuso. Hesitante. Não consegue perceber uma única frase completa. Um Adónis das palavras, conhecido ali nas redondezas pelo Maneli. E pede-lhe um pequeno time-out. E faz o óbvio nestes momentos. Vai fumar. Regressa e diz-lhe.


O outro, perante tal movimento, foge. Ou esconde-se. “Este cabrão há-de regressar, pensa Jácke.”. A multidão felicita-o, abraça-o, leva-o em ombros. Está eem grande o super-herói. É, digamos, o seu Momento, vá.
A multidão clama por Pandora. Chamam-na em gritos estridentes, e Jácke aguarda. Triunfante, forte, destemido, respeitoso.
Pandora aparece, caminha lentamente na sua direcção. Silêncio absoluto na loja. A expectativa é grande. Ao fundo, ouve-se....



Pandora corre para Jácke, vai abraçá-lo.
Jácke retira os óculos, o fumo saído lá de dentro activa os alarmes de incêndio e chove na loja. O momento é, agora de grande adrenalina e sensualidade. Os cabelos negros e ondulados de Pandora esvoaçam (alguém, entretanto, e para ajudar a história, ligou um ventilador gigante, pronto). Olham-se e Jácke diz-lhe: “Pandora, só queria abrir a tua caixa. Não me deste tempo.” E vai embora.
Olha que foda-se.

(...)

...esta sensação da perda diária, meses e meses a fio, com a noção de que cada dia, cada momento, cada data será a última. Esta sensação do vazio que são todas as tentativas de cuidar, de mimar, de ajudar, de tratar. Esta sensação de pânico interior de cada cada minuto a seguir pode ser o último minuto. Esta sensação de ver, sentir e tocar a vida a acabar. Devastadora de todas as emoções, forças, crenças, equilíbrios, emoções. Devastadora.

o texto mais importante

Um noite inteira a tentar escrever o texto mais importante. Mas só me saía a palavra F......que, diga-se em boa razão, resume na perfeição os milhares de caracteres que dali saíriam. Na falta de melhor, e na curta hora dormida veio-me este sonho. Muito semelhante a outro tido em tempos, ou igual. Mau sinal. Vai.

"Hoje sonhei que era um bacalhau. E, como bacalhau que era, resolvi sair da água e apanhar um pouco de sol. Estava eu deitado na areia quando me aparece uma lula. "Que fazes aqui Lula?", perguntei-lhe, estranhando estar ela fora da água. "Eu...estou á procura do tubarão-martelo. Viste-o por aí?", perguntou-me. Respondi-lhe que não. E lá seguiu o caminho dela, á procura do tubarão-martelo. Acabado de tomar o meu banho de sol, resolvi ir até ao parque, andar de escorrega. Chegado ao parque, o escorrega estava tomado por duas torneiras. "Duas torneiras a andar de escorrega? Que estranho", pensei eu. "Olhem lá, mas que fazem duas torneiras e andar de escorrega?", inquiri. "Nós queriamos os baloiços, mas o tubarão-martelo e a lula, não saem de lá...", respnderam-me muito tristes. Decidi seguir caminho, que coisas mais estranhas encontre neste dia. Como ainda era cedo, fui até ao cinema. Bilhete comprado, para bacalhau há um preço especial, lá entrei. Sentei-me (tive que ir buscar uma cadeirinha de criança, pois por azar, há minha frente estavam dois postes de electricidade altíssimos), e vi o filme descansado, comendo as minhas pipocas (com sal a mais, note-se). Já era tarde e resolvi ir de autocarro para a praia. Estava cheio, tinha havido uma convenção de hienas ali perto. Estava um barulho ensurdecedor. Decidi sair e seguir a pé. Ao descer a rua, tropeço e rebolo por uma avenida inclinada e só paro no final. Quando me levanto, reparo que sou agora uma máquina calculadora. "Será que posso ir para a água?", interroguei-me. Chego á praia e encontro de novo a lula. "Olha lá Lula, achas que eu posso ir para a água?", pergunto-lhe. Com ar incrédulo responde-me "Mas que grande lata, uma máquina calculadora que fala! E ainda por cima quer ir para a água. Já não me bastavam as torneiras...vou mas é procurar o tubarão-martelo!".

domingo, 18 de dezembro de 2011

...e há Homens assim.

Já conheci gente boa e gente má. Gente feliz e gente infeliz. Gente só. Gente imensamente acompanhada. E por isso mesmo acredito que há Homens convictos de que a bondade pode vencer a maldade. A partilha pode vencer a inveja. A solidariedade pode vencer a solidão. Que sabem sentir sem serem sentidos. Que dão sem receber. Que acreditam no valor do trabalho, na força das convicções, na grandeza dos princípios. Que acreditam na lealdade. Que acreditam no destino. Nos sinais. Nas palavras, gestos, sentimentos. Que sabem que os amigos falham. Que eles falham. Todos falhamos. Que acreditam que há sempre tempo para acertar. Encaminhar. Recuperar. Que acreditam na sinceridade de uma desculpa. Que têm humildade para pedir desculpa. Que conseguem entender. Que acreditam que fazer sorrir é melhor que provocar o choro. Que crescem quando conseguem sorrir. Que é assim que vivem. Acreditando. E respeitando. É que há mesmo Homens assim. Conheço muitos.

há homens assim.


Há homens assim.
Encantadores no flirt, perfeitos na abordagem, lindos na apresentação e assertivos no avanço.
Espalham verdades absolutas, definem-se como aventureiros da emoção, fazem levitar. Voyeurs das fragilidades, aproveitam a oportunidade e arrasam. Têm capacidade de baixar todas as guardas, defendem-se nas suas falhas, premeditam cada momento. Mentem, iludem, enganam. Não olham a meios para atingir os os fins. Para eles vale tudo. Respeito zero, Fidelidade zero. Carácter zero. Mas são encantadores. Dizem-se e dizem-lhes. São os donos das oportunidades, a eles tudo se lhes perdoa, tudo se lhes compreende, tudo se lhes aceita. Afinal são perfeitos e proporcionam os momentos perfeitos. Decidem quando, como, onde e em que momento entram e saem. Afirmam e negam. Proporcionam e retiram violentamente. Têm sempre o tempo com eles. São imortais nas sensações quem provocam. Sabem-no e afirmam-no onde e como querem. Há homens assim. Apesar de tudo, têm-lhes as luzes dedicadas. E há homens que não são assim.

sábado, 17 de dezembro de 2011

momentos.

Momentos.
Acredito em absoluto que a vida é um tempo emprestado. Devemos gozá-lo o melhor possível. Quanto a mim, tento usá-lo da melhor forma, vivendo um dia de cada vez, absorvendo os cheiros, sons e sentidos que me rodeiam. Tento dedicá-lo o mais que posso aos que estimo, que amo. Tenho sempre a sensação que cada pessoa a quem dedico tempo, mais cedo ou mais tarde, se tornará uma perda. Mais do que uma sensação, é um facto. Não entendo porquê. Mas concluo que desperdiço cada vez mais este tempo emprestado que vivo. A barreira entre a vida e a morte é, claramente, um traço muito fino, invisível. Não tem forma ou cor. De um momento para o outro, o tempo acaba-se. É por isso mesmo que, bem ou mal, tento que este tempo seja único, forte, intenso e sobretudo, vivido. Há que desfrutá-lo então. Até porque, depois de ultrapassada a tal barreira invisível, virá outro tempo, outra vida, outras perdas. Momentos. Recordá-los é bom. Traz-nos verdade. Vida. Liberdade. E escolhas, as nossas escolhas.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Gosto da Julia Roberts


Notting Hill - Hugh Grant, Julia Roberts «I'm... por Flixgr

Sim, não é Fassbinder, Polanski, Von Trier...já sei, já sei...
Sim, parece rídiculo a Julia Roberts a dizer isto a este canastrão apreciador de Bj's na Boulevard. Com camisa cor-de-rosa.
Infantil, coisa de americanada, irreal, tonto, despropositado, arriscado.
Mas é bonito. Assim lamechinhinho. Mas é bonito. E corajoso. Ela, pelo menos é.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Pure Heart, Soul & Inspiration

No que toca a datas, não sou, diria, perfeito. Insisto em não me esquecer das melhores. E de uma ou duas das piores, vá lá. Faz hoje um ano e meio que o teu coração te traíu. Mulher corajosa, forte, independente. Hoje perguntaram-me por ti. Logo hoje. Noutros tempos, para descreveres alguém utilizavas uma expressão que só dita por ti soava bem: Pure Heart, Soul & Inspiration. Devias ver-te ao espelho, quando a proferias. Devias cá estar.
Por vezes deixavas-nos sem respirar, tal era a velocidade a que vivias. E fazem falta as tuas palavras que tornavam tão simples, os mais complicados dos problemas. E ajudariam a aliviar os dias. Merda da vida que nos leva os melhores.
Não eras um anjo, de facto. E ainda bem. Mas gostavas disto, vá lá saber-se porquê.

Gelado Olá


Quando era puto insistia com o meu pai que só gostava dos gelados da Menorquina. Um em especial. Aquilo era uma paixão assolapada, descontrolada, devastadora mesmo (daí a bonita alcunha de “bolinha”). Consumi aquilo sempre com o mesmo sabor, a mesma intensidade, parecia-me sempre como a primeira vez. O único senão (mínimo), era que aquele gelado tinha dois problemas. Em primeiro lugar, o pai achava-o muito caro, logo proibido. Em segundo, cada vez que chegava desaparecia rapidamente o raio do gelado. Chegava a dar pontapés desenfreados na arca, tal era a fúria quando não o encontrava. Mas ele nada. O cabrão do gelado não queria saber. Nunca ficava ali escondidinho no fundo da caixa, para que ninguém o levasse. Ingrato, é o que era! Até que o pai, num acto (julgava ele), de lucidez, cancela os gelados da Menorquina. A partir daquele dia era Olá. Garantia-me que eram melhores, faziam melhor à saúde, e que havia um gelado semelhante ao outro da Menorquina. Que eu ía gostar. Que experimentasse e veria que gostaria da mesma forma, ou ainda mais. Ainda olhei para ele, apreciei a embalagem, flirtei o gajo mesmo. Sentava-me a apreciar o mostruário da Olá, onde ele aparecia em destaque só para se exibir. Juro que até parecia combater dentro da arca com os outros gelados para chegar em primeiro lugar às minhas mãos. Punha-se m bicos de pés, batia palmas, assobiava, armava-se em bom o gajo. Mas eu...nada. Nahhh....até hoje não lhe provei o gosto. Seria bom?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Anónimo é que sabe...

Encontrado por aí, num blogue de um qualquer anónimo.Que experiência deve ter tido....

“Gostar de ti.
Ansiedade por ouvir a voz. A espera do telefonema prometido. A tranquilidade de um abraço forte e quente. A sensação do sorriso na face, apenas pela lembrança do nome. As olheiras marcadas e o cansaço extremo por noites saborosas não dormidas. A possibilidade de um talvez futuro, assumindo a insegurança do presente. A vontade do beijo a qualquer hora do dia. O acordar repentino a meio da noite com desejo de possuir apaixonadamente, sem preocupação por noites mal dormidas.
A sã mas estúpida vontade de mandar sms, mms e toso os ésses possíveis. A ilusão de ser ELA. Agora. A certeza que está ali a força para a maior dificuldade, o conforto para a maior dor, o calmo abraço para a mais terrível angústia. A ouvinte cúmplice dos sucessos, das notícias boas do trabalho, das alegrias dos amigos, das peripécias dos sobrinhos. O estar. Saber que se está acompanhado ainda que ausente, abraçado ainda que longe.
A voz que nos tenta corrigir os defeitos e nos elogia as qualidades. Que nos faz caminhar pela terra, com o olhar na Lua. Encontrar, ali ao lado, a coragem, a ambição, a alegria. Ternura, sensualidade, esperança. Força de vida. Sem horas marcadas, dias previstos ou instantes programados, receber um “estás bem?”. O gozo de contemplar o corpo nu, com a luz mínima que entra cheia pela janela aberta, trazida pela Lua.
O saborear o cheiro do corpo, o toque da pele, o sabor do beijo. A tentativa frustrada de ver um filme até ao fim, sentados no sofá num dia de chuva. Vê-la adormecida no peito, embalada por milhões de passagens de dedos pelo cabelo longo, o pescoço saboroso. A vontade interior quase louca de beijá-la, abraçá-la, senti-la. O desejo de fazer um longo “pause” nos dias que correm rápidos demais, sem tempo para o tempo, em que os ponteiros do relógio avançam desenfreados sem respeito pela nossa vontade de “ver”.
A partilha descomplexada de histórias passadas. A dúvida súbita entre as palavras ausentes e as palavras a mais. A juvenil descoberta dos sons, cheiros, cores, vontades e sonhos. O medo da insegurança total da alma, da exposição brutal dos defeitos, das falhas, das incapacidades. Mas a simples, quente e leve esperança de que vai dar certo. A coragem para contar a história ridícula sem vergonha, a descabida e irreal sensação de se “estar bem”.
Perder a bússola, confundir norte com sul, este com oeste. Desorientar. Desracionalizar. Emocionar. A dúvida entre o silêncio necessário e o silêncio exigível. A mais simples vontade de desejar. Ver. Ter. Sorrir.
A terrível escolha da camisa certa, as calças adequadas, o engraxar semestral dos sapatos. A verificação minuciosa da ausência do buraquito no dedão das meias, e garantir que não se levam as boxers com o Buzz Lightyear. As pastilhas na boca para eliminar o hálito dos 5 cigarros fumados na ansiedade do primeiro encontro. A filosófica questão do “ela gostará de cabelos no peito?”. A pergunta óbvia sobre o que lhe devo elogiar primeiro. Se os olhos, a boca, as mãos, a inteligência, a força e o humor, com receio de ser apelidado de “especial”. Se o peito, o rabo perfeito, a sensualidade total do corpo e ser apelidado de “atrevido”. Soltar a piadola espontânea saída de um humor natural, ou a programada das enciclopédias dos Bogarts, Clooneys ou Pitts. O sabor de ler ou ouvir “tenho saudades tuas”.
No fundo, é isto.”